Poderia fazer uma lista com dez motivos para ficar longe, aliás, já fiz, e já passei do número dez há algum tempo - estou mais próximo do número 100 que do 10. Sei também que poderia ter feito essa lista a qualquer ponto do namoro, os motivos não mudaram muito, talvez os dois últimos, ou três; mas em suma, são todos os mesmos motivos burlescos, os quais tive e ainda tenho de alguma forma patética/meiga/idiota que não sei explicar, a esperança que mudem.
Esperança. Essa é a palavra. Posso dizer que vivi disso meus últimos dias nesse relacionamento. Esperança de que as coisas se tornassem melhores. De que ele mudasse. De que a violência parasse. De que eu pudesse ser eu mesmo sem retaliar-me e esconder as partes para que não fossem repreendidas como uma doença hanseniana de terceiro mundo, como se todas as minhas ações fossem regidas pela minha vontade intrínseca de feri-lo.
É, fui idiota. Agüentei demais, ouvi demais, tentei demais, esperei demais. Não foi um; não foram dois; foram todos. Todos me repreenderam pela minha paciência e esperança doentia, que me mantinham ligado umbilicalmente ao meu carcereiro.
Eu desisto.
Não estou arrependido, mas desisto.
Bandeira branca para ti.